Enquanto a lousa é apagada, o grito silencioso do professor ecoa. Enquanto o sino toca, milhares se calam — esgotados, sobrecarregados, adoecidos. No Estado de São Paulo, 112 professores são afastados por dia por problemas de saúde mental. Sim, por dia. Mas esse não é um problema de um estado. É um colapso nacional que […]
Enquanto a lousa é apagada, o grito silencioso do professor ecoa. Enquanto o sino toca, milhares se calam — esgotados, sobrecarregados, adoecidos. No Estado de São Paulo, 112 professores são afastados por dia por problemas de saúde mental. Sim, por dia. Mas esse não é um problema de um estado. É um colapso nacional que a sociedade insiste em ignorar.
Segundo levantamento da Associação Nova Escola, 66% dos professores brasileiros já sentiram sua saúde mental prejudicada por conta do trabalho. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou que 47% dos docentes sofrem de ansiedade severa e 28% têm sintomas de depressão. Mais de um terço dos nossos educadores relatam insônia, crises de pânico e esgotamento emocional.

Esses números não são estatísticas frias. São nomes. São histórias. São mães e pais de família, jovens educadores e mestres experientes que, entre uma chamada e outra, lutam para sobreviver emocionalmente. Carregam o peso da violência escolar, da desvalorização profissional, das cobranças administrativas, da ausência de apoio psicológico, da falta de condições dignas de trabalho.
É preciso dizer com todas as letras: estamos adoecendo quem deveria estar formando o futuro.
E o mais cruel é o silêncio institucional. O país age como se a aula seguisse normalmente. Como se um quadro branco escondesse o cansaço. Como se a vocação fosse capaz de anestesiar a dor.
Valorizar a educação é também cuidar de quem educa.
Porque quando o professor adoece, a esperança de um país também adoece.