Ser professor hoje é protagonizar um dos trabalhos mais hercúleos da sociedade. Numa única sala, convivem diferentes ritmos, múltiplas inteligências, histórias de vida desafiadoras e diagnósticos complexos. O espaço é limitado. O tempo é curto. Os recursos são escassos. Mas, a responsabilidade é imensa. O professor é chamado a incluir todos, a escutar todos, a […]
Ser professor hoje é protagonizar um dos trabalhos mais hercúleos da sociedade.
Numa única sala, convivem diferentes ritmos, múltiplas inteligências, histórias de vida desafiadoras e diagnósticos complexos. O espaço é limitado. O tempo é curto. Os recursos são escassos. Mas, a responsabilidade é imensa.
O professor é chamado a incluir todos, a escutar todos, a respeitar cada diferença — enquanto ensina o mesmo conteúdo, aplica a mesma avaliação, garante os mesmos resultados. É cobrado por indicadores, por metas, por excelência. Mas, muitas vezes, não é ouvido quando fala da exaustão, da solidão ou da falta de apoio.
Cada família entrega seu filho esperando um atendimento único, exclusivo, diferenciado. E o professor — que tem 25, 30, 35, 40 alunos por turma — tenta fazer isso com o coração dividido entre a prática pedagógica, a empatia e a sobrevivência emocional.
Ele precisa registrar frequência, lançar notas, manter os 200 dias letivos em funcionamento, cuidar da disciplina, lidar com a indisciplina, mediar conflitos, acolher sofrimentos. Tudo isso enquanto ensina. Ou melhor: enquanto luta para ensinar.
Ensinar, hoje, é um ato de resistência.
Incluir, hoje, é um ato de amor.
E ser professor, hoje, é carregar nos ombros um sistema inteiro — tentando não deixar nenhum aluno para trás.