Quem Realmente Fala Pela Educação? Eu não digo a um engenheiro como projetar um prédio. Não explico a um médico como salvar uma vida. Não dou parecer a um advogado sobre leis. Mas, na educação, todo mundo se acha especialista. Palpites vêm de todos os lados-políticos, empresários, influenciadores, economistas-cada um com sua teoria sobre como […]
Quem Realmente Fala Pela
Educação?
Eu não digo a um engenheiro como projetar um prédio.
Não explico a um médico como salvar uma vida.
Não dou parecer a um advogado sobre leis.
Mas, na educação, todo mundo se acha especialista.
Palpites vêm de todos os lados-políticos, empresários, influenciadores, economistas-cada um com sua teoria sobre como melhorar a escola, como formar cidadãos, como preparar o aluno para o futuro. E quando, finalmente, se decide ouvir alguém, geralmente são os acadêmicos, os especialistas de gabinete, os teóricos que, muitas vezes, nunca viveram a realidade da sala de aula. Não se trata de desmerecer a pesquisa ou o conhecimento científico, que são fundamentais para o avanço da educação, mas de reconhecer que a experiência cotidiana do professor, aquele que está na linha de frente, raramente é considerada na tomada de decisões.
Paulo Freire já alertava sobre isso quando falava da importância do saber da experiência feito-o
conhecimento que nasce da prática, da vivência, do enfrentamento real dos desafios diários. No entanto, esse saber segue sendo ignorado. As grandes reformas educacionais são debatidas sem que a voz dos professores seja central. Novas diretrizes são criadas, currículos são reformulados, métodos são impostos, e quem realmente sente o impacto dessas mudanças, quem de fato conhece as dores e possibilidades da educação, continua à margem das decisões.
O professor que enfrenta 200 dias letivos, lidando com alunos diversos, famílias desestruturadas, currículos engessados e salas de aula sem estrutura, é aquele que mais tem a contribuir. Mas também é o que menos é ouvido.
É hora de mudar esse cenário. A educação não precisa apenas de teorias bem-intencionadas. Precisa de um diálogo verdadeiro entre conhecimento acadêmico e experiência prática. Porque ensinar não é apenas um conceito-é uma realidade vivida todos os dias.