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A Escola Ainda Espelha o Modelo Industrial do Início do Século XX –
Por Prof. Ronaldo Casagrande

Estamos ingressando na quarta revolução industrial, onde a tecnologia é o grande gatilho dessa transição. Porém, ao analisar uma instituição tradicional de ensino, vemos que ela é reflexo, ainda, da segunda revolução industrial, onde a produção em série imperou. De modo geral, a escola tradicional reproduziu muito bem o modelo industrial do início do século […]

Estamos ingressando na quarta revolução industrial, onde a tecnologia é o grande gatilho dessa transição. Porém, ao analisar uma instituição tradicional de ensino, vemos que ela é reflexo, ainda, da segunda revolução industrial, onde a produção em série imperou. De modo geral, a escola tradicional reproduziu muito bem o modelo industrial do início do século XX e, portanto, cumpriu seu papel em atender a sociedade daquele momento.

Um dos traços mais marcante desse espelhamento é a especialização do trabalho, característica emblemática daquela época. Com o surgimento da produção seriada, cada trabalhador tinha uma função muito bem especificada na produção, havendo pouca ou nenhuma interrelação com as demais atividades do processo produtivo. O operário que realizava um processo de soldagem no carro, por exemplo, não tinha, e nem precisava ter, qualquer contato com o profissional que fazia a pintura desse mesmo carro. As instituições educacionais seguiram o mesmo caminho. Cada professor passou a ter uma função bem definida no processo de ensino e aprendizagem. O professor de matemática ficou incumbido do desenvolvimento do raciocínio lógico e analítico dos alunos. Ao professor de física, coube fazer com os alunos entendessem os fenômenos da natureza, e, assim, sucessivamente com cada área do conhecimento. Da mesma forma como aconteceu na indústria, essa especialização do trabalho docente levou a uma certa falta de integração entre as áreas, cabendo ao aluno fazer as conexões necessárias.

Porém, o mundo mudou e as instituições, na sua maioria, não conseguiram romper com essa fragmentação. Com a LDB 9394/96 houve a tentativa de provocar essa mudança, mas poucos foram os resultados colhidos nesse sentido. A BNCC – Base Nacional Curricular Comum – vem novamente como um sopro de mudança. Observa-se hoje um esforço muito grande de se tentar superar esse modelo de trabalho docente. Mas, como desenvolver isso dentro da escola? O que podemos fazer de forma efetiva em nosso espaço de influência? Acreditamos que o caminho começa a ser trilhado, quando começamos a buscar respostas concretas. A busca por respostas é que nos move em direção ao desenvolvimento e aperfeiçoamento.