O Desejo e a Conquista De Ser Águia

Desde muito cedo tenho profunda admiração pela natureza e procuro tirar dela grandes lições para minha vida, tanto no âmbito pessoal e profissional. 

Há muito tempo, escolhi entre tantas outras criaturas da natureza, a águia para servir como metáfora ao meu projeto de vida.  Admiro a águia, entre tantos outros atributos, pela sua majestade. É um pássaro que voa mais de 3.000 metros de altura e sempre constrói seu ninho no alto de um penhasco. Ela tem graça, independência, demonstra segurança, disciplina, firmeza e determinação. Todas as histórias que conhecemos sobre ela, lenda ou não, nos remetem a uma criatura majestosa, que compreende os desafios propostos pela vida e os enfrenta com maestria. Nela encontro algo, que acredito faltar em grande parte pessoas, algo que constantemente procuramos dentro de nós e por vezes nos outros, encontro a coragem para alçar grandes voos. 

Como nos lembra Pe. Zezinho, em uma de suas músicas, “somos criaturas com ânsia de amar, com asas para voar e com as alturas para conquistar”.  

Somos como pequenas águias, corremos riscos enquanto voamos, mas que nunca devemos deixar de arriscar. Se temos asas, nosso destino será sempre voar. Essa é a reflexão que faço diariamente ao enfrentar novos e grandes desafios na minha vida. Serve essa metáfora como inspiração para criar a coragem de voar sempre, para não se intimidar frente as demandas propostas pela vida, para enfrentar as tempestades e conquistar o alto dos penhascos.  

Entristece-me ver tantos professores, alunos e líderes educacionais, acostumados com a mesmice, confortáveis em seus “poleiros” agindo como pássaros domesticados, não como águias. 

Linda é a crônica de Leonardo Boff, que conta a história de um fazendeiro que insistiu por anos criar uma águia como se fosse galinha. Ele queria contrariar a natureza transformando uma águia em caça, enquanto ela nasceu para ser caçadora. Queria criá-la com medo, quando sua natureza a fazia destemida e corajosa. Queria forçá-la a viver de asas caídas, ciscando no chão e presa ao chão, mas a águia, nasceu para voar alto e refugiar-se sempre nas alturas. 

O fazendeiro, estava feliz com seu intento, até que um naturalista, não se conformando com a situação em que vivia a águia, o desafiou para que incentivasse a águia a voar. A história conta que foram várias as vezes que insistiram para que a águia voasse, mas ela, sempre insegura, olhava para as galinhas ciscando no chão e retornava a sua morada de galinha. 

Um dia, o naturalista a levou para o alto de uma montanha, bem longe das galinhas e segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte e a ordenou que voasse. “Águia, já que você é uma águia, você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!”. A águia olhou ao redor, abriu suas potentes asas e, ergueu-se, soberana sobre si mesma, iniciando seu voo para o alto, cada vez mais para o alto. Voou e voou, até confundir-se com o azul do firmamento. 

Quantas vezes assim agimos como pássaros domesticados, acomodados em nossas rotinas, na burocracia, nas desculpas, na falta de coragem de propor o novo para as nossas vidas e para os outros. Sabemos que o caminho do sucesso é uma longa jornada, em que é preciso ter muita coragem, força, determinação e energia para trilhar este caminho. Não importam as tempestades e os ventos que vem no sentido contrário da nossa caminhada. É preciso voar. 

Tenho comigo, que a medida em que descubro minhas asas, é a altura que preciso ficar. Não para olhar os outros por cima, mas sim par incentivá-los a vir comigo. Para mostrar que existem novos caminhos a serem trilhados, que não estamos aqui por acaso e nem de passagem. Aqui estamos para cumprir uma missão, uma jornada, na qual é preciso coragem para voar.  

Um líder sempre sabe que sua missão é guiar as pequenas águias a voarem, mas antes de guia-las, é preciso ter a coragem e a determinação de romper com o comodismo e alçar seu próprio voo. E, só depois que conquistar as alturas, poderá guiar e levar os seus a voarem alto e conquistar a majestade.