Afinal, Faço ou Não Faço um Curso a Distância?

O mundo hoje é digital e conectado. Podemos até mesmo arriscar dizer que a nossa vida tem estado mais voltada ao mundo virtual do que real. Nossas atividades no dia a dia, normalmente, ocorrem por meio de computadores, tablets e celulares. Toda essa evolução tecnológica tornou o acesso à informação mais fácil e rápido. O resultado disso é a mudança de padrões e hábitos de comportamento e de consumo.

 

Com apenas alguns cliques, nós nos relacionamos. Informamos, compramos, vendemos, trabalhamos, estudamos, entre tantas outras possibilidades de atividades. O mundo encontra-se fundamentado em bits, redes sociais online, plataformas virtuais e tecnologia móvel. Em um universo cada vez mais fragmentado, as possibilidades de comunicação e aprendizagem se intensificam.

 

O que antes era encarado com descrença, aos poucos torna-se natural à medida que se amplia, fortalece e evolui. Está aí a Educação a Distância (EaD), um campo que cresce em todo o mundo. Dados do Ministério da Educação e Cultura (MEC) revelam que a modalidade cresce no Brasil em média três vezes mais que a educação presencial. De 2003 a 2013, o número de pessoas matriculadas na EAD subiu de 49.911 para 1.153.572, ou seja um crescimento aproximado  de 1200% em uma década.

 

EAD: A SUPERAÇÃO DE UM PARADIGMA

Mais que dados estatísticos, estes números demonstram uma mudança de comportamento. Fatores como flexibilidade, autonomia, economia de tempo e deslocamento vêm atraindo estudantes de diversas idades e níveis de ensino para a educação a distância. Nesta modalidade, amplia-se o acesso a variadas opções, que independem da localização, isso sem contar que agora ficou mais fácil conciliar atividades sociais e profissionais.

 

Apesar dos números serem bastante promissores, nem todos os cursos de graduação são ofertados na modalidade a distância. Na área biológica, por exemplo, há cursos que não possuem autorização do MEC, por exigirem aulas mais voltadas para atividades práticas. Por enquanto, é mais fácil encontrar, nesta área, cursos de licenciatura, que demandam em sua grade curricular um foco maior em leituras e aulas teóricas. Mas vejo que tudo é uma questão de tempo, aos poucos cada vez mais teremos mais cursos de todas as áreas do conhecimento acessíveis para o estudo online.

 

A modalidade ainda enfrenta barreiras de descrença pelos ingressantes em cursos superiores. Tal fato pode ser explicado, entre outras razões, porque no mercado de trabalho, encontram-se empregadores. Esses ainda veem o ensino a distância ideal apenas para formações complementares e rápidas, e não suficientes para uma formação como os cursos de graduação. Felizmente, esse preconceito vem diminuindo a cada ano. Vale ressaltar que por lei um curso a distância tem o mesmo valor e reconhecimento que um curso presencial.

 

No entanto, até para quebrar um pouco esse preconceito, eu ousaria dizer que se compararmos dois cursos de mesma qualidade, um curso a distância costuma ser mais difícil que um curso presencial. Isso se justifica porque o aluno não tem todo o apoio e o aparato de um curso presencial. Além disso precisa, obrigatoriamente, desenvolver, se quiser obter sucesso, certas atitudes e comportamentos. Esses não são fáceis, como planejamento, organização, disciplina e determinação.

 

DESMISTIFICAR O ENSINO A DISTÂNCIA

Por isso, é preciso desmistificar que o ensino a distância exige menos do aluno, só porque é mais barato e possui maior flexibilidade. Infelizmente, muitos alunos buscam por cursos, nesta modalidade, atrás destas vantagens, e o resultado, muitas vezes, é a evasão. Para corroborar com isso, muitos alunos concluintes de EaD superam os matriculados nos cursos presenciais nas avaliações do MEC. Os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) têm demonstrado isso. Os alunos que cursaram a educação a distância, obtiveram um desempenho significativamente superior em boa parte das  áreas de ensino analisadas.

 

Isso não significa dizer que os cursos a distância são excelentes. Acredito que o que justifica, em parte, esses resultados é o fato que poucos alunos, comparados com a quantidade de ingressantes, conclui um curso a distância. A taxa de evasão ainda é grande. Isso pode ser justificado pelas exigências relacionadas à atitude e comportamentos necessários aos alunos de EaD para concluir os estudos.

 

Então, aconselho a nunca subestimarmos o ensino a distância em si. Podemos, sim, questionar a instituição que oferta o curso, que pode, tanto no EaD como no presencial, ofertar cursos de baixa qualidade.  O critério, eu diria, depende principalmente do perfil do aluno. Quanto maior for a capacidade do estudante de planejar, organizar e de ter disciplina, mais ele poderá trabalhar sozinho e, nesse caso, optar por um curso a distância. Ao contrário, quanto mais ele necessitar de acompanhamento, orientação e interação pessoal, mais adequada seria a opção por um curso presencial ou semipresencial.

 

ÊXITO NO ENSINO A DISTÂNCIA: ATITUDES

Apresento quatro atitudes que considero fundamentais para que os alunos consigam obter êxito nos cursos a distância.

 

  • Planejamento e Organização: nos cursos presenciais, a grade horária, o calendário e as atividades são planejadas pela instituição. Na EaD, na maioria dos casos, quem planeja é o aluno. Você precisa reservar um tempo, escolher um local, ter objetivo, meta, estratégia e ações claras.

 

  • Método de estudo: Como você aprende melhor? Lendo, ouvindo, anotando? Além do método, os hábitos de estudo são fundamentais.

 

  • Competências digitais: explorar ao máximo a plataforma de ensino. A sala de aula é no computador, no smartphones. Os grupos viram chats, as interações ocorrem por meio de redes sociais.

 

  • Disciplina: faça hoje o que tem que ser feito hoje. Gosto de uma definição de disciplina dado pelo Bernardinho: “disciplina é a distância entre sonho e realidade”. Portanto, para que consigamos atingir nossos objetivos, no caso a conclusão de um curso EAD, é necessário muita disciplina.

 

Associada a estas atitudes, destaco ainda a necessidade de que o estudante tenha a capacidade de ser autodidata. Isso significa que o estudante deve ter iniciativa, curiosidade e motivação para ir além dos roteiros e das aulas programadas. Quantas pessoas que você conhece que falam inglês ou dominam ferramentas de informática, sem nunca terem frequentado um curso? Muitos podem aprender inglês ou informática, tranquilamente sozinhos. Seja pelo Youtube, vendo filmes ou assistindo aulas gratuitas, que estão disponíveis em quantidade na internet. Assim, a postura autodidata pode aumentar consideravelmente a chance de sucesso de um aluno na realização de um curso a distância.

 

MODALIDADE A DISTÂNCIA E SEMIPRESENCIAL

Após os alunos avaliarem se têm ou não essas atitudes e a postura adequada, é importante o aluno conhecer a diferença de uma modalidade ministrada totalmente a distância da modalidade semipresencial.

 

  • Modalidade EaD: As aulas, nesta modalidade, em sua grande maioria, são totalmente a distância por meio de tecnologias. É obrigatório apenas realizar as avaliações presencialmente. As transmissões de aulas são via satélite, internet ou mesmo atividades programadas (chats, vídeos gravados, textos, exercícios etc.).

 

  • Modalidade semipresencial: nesta modalidade, os alunos têm, geralmente encontros nos polos de apoio presencial. Tem a coordenação de um tutor, além das demais atividades a distância, como aulas ao vivo, videoaulas, textos, chats e seminários.

 

 

Por fim, após resolvidas as questões discorridas, o aluno ainda tem pela frente a difícil tarefa de definir a instituição que estudará. Várias oferecem os mesmos cursos, por preços e condições similares, o que torna mais difícil a escolha.  Relaciono abaixo algumas orientações que considero oportunas na escolha da instituição.

 

  • Verifique as condições de credenciamento do curso junto ao MEC. Há cursos autorizados e cursos reconhecidos. Os cursos só são reconhecidos depois de estarem em pleno funcionamento. Já a autorização, acontece antes do curso funcionar. Os dois casos estão assegurados pelo MEC. O cuidado máximo que se deve ter é para não ingressar em um curso que não tenha a autorização do MEC. Essa situação deve ser evitada sempre, pois o aluno corre sério risco de não ter seu curso validado.
  • Analise os avaliações e resultados oficiais dos cursos. O aluno poderá ter por base os indicadores, objetivos de qualidade como o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que avalia o rendimento dos alunos dos cursos de graduação, em relação aos conteúdos. Além desse tem o Conceito Preliminar de Curso (CPC), indicador que avalia os cursos superiores. Pode ainda recorrer a outras avaliações dos cursos feitas pelo MEC. Essas informações estão disponibilizadas no site do MEC.
  • Analise o projeto do curso, principalmente sua matriz curricular (relação de disciplinas e carga horária). É importante verificar se as disciplinas ofertadas contribuirão significativamente para a formação de um profissional naquela área. Alerto este fato porque podem haver instituições que, por questões econômicas, venham a construir matrizes com objetivo de aproveitamento de uma mesma disciplina para vários cursos. Isso acarreta prejuízos na qualidade do curso.
  • Avalie a estrutura tecnológica (ambiente virtual de aprendizagem, qualidade dos recursos tecnológicos e das mídias utilizadas, equipamentos etc.). Analise a estrutura física dos polos (salas de aula, bibliotecas, laboratórios, ambientes de convivência etc.). A qualidade dos materiais didáticos (livros, apostilas, materiais complementares etc.).
  • Avalie o corpo técnico e pedagógico. É importante examinar a qualidade dos professores e tutores (formação acadêmica e experiência profissional). O atendimento por parte dos gestores, professores, tutores e funcionários às necessidades dos alunos.
  • Verifique o conceito da instituição no mercado de trabalho. A credibilidade de uma instituição é muito importante para valorizar a formação do aluno. No mercado extremamente competitivo, como o que vivemos, as empregadoras costumam dar preferência a instituições que gozem de bom conceito no mercado.
  • Tome muito cuidado com certas armadilhas mercadológicas. É importante lembrar que você não está comprando um sapato, que, se não gostar, deixa de lado ou compra outro. Você está construindo o seu futuro e não pode cair em armadilhas baratas. Assim, “não pague a primeira mensalidade”; “aqui nós garantimos o menor preço”; “fazemos qualquer negócio” etc. É claro que é bom e importante conciliar questões econômicas com questões de formação. No entanto, neste caso, o velho ditado “o barato sai caro” poderá lhe surpreender.
  • Converse e se relacione com alunos que estão matriculados ou são egressos das instituições. Hoje em dia, com a possibilidade que a internet nos oferece, podemos conversar com facilidade com muitas pessoas. Trocar informações, participar de redes sociais e analisar comentários postados sobre o curso e a instituição do interesse do aluno.

 

 

Por fim, não há dúvidas de que a Educação a Distância veio para ficar e ocupará cada vez mais um lugar de destaque na formação de profissionais. Aconselho aos estudantes analisarem muito bem seu perfil. As suas condições e o que está sendo ofertado. Com o cruzamento dessas questões faça a melhor opção, pois, com muita dedicação os resultados com certeza aparecerão.